A madeira para pallet (ou palete) de exportação precisa de duas coisas: secagem em estufa (KD), que tira a água e evita fungo e bolor no contêiner, e tratamento térmico (HT) pela norma ISPM-15, que elimina pragas e dá o direito à marca IPPC exigida pela alfândega do destino. Uma não substitui a outra. Para pallet que vai viajar de navio, o pedido certo é madeira KD-HT.
O que é madeira KD (seca em estufa)
KD vem do inglês kiln dried. A madeira serrada sai da serra com muita água, muitas vezes mais da metade do seu peso. Na estufa, com calor, ventilação e controle da umidade do ar, essa água sai até a madeira chegar à umidade combinada.
Nas regras de classificação norte-americanas, madeira marcada como KD tem no máximo 19% de umidade. Para pallet, isso importa por três motivos:
- Fungo e bolor. Madeira úmida dentro de um contêiner fechado, atravessando o oceano, solta água que condensa nas paredes e nas peças. Abaixo de cerca de 20% de umidade, o fungo não encontra condição para crescer.
- Estabilidade. Madeira que seca depois de montada encolhe e empena. O prego afrouxa e o pallet perde resistência.
- Peso e frete. Menos água é menos peso por metro cúbico. Cabe mais madeira no caminhão e o frete por peça cai.
O que é madeira HT (tratamento térmico ISPM-15)
HT vem de heat treated. O objetivo é eliminar pragas: insetos e larvas que podem viajar dentro da madeira de um país para outro.
A ISPM-15 é a norma internacional para embalagens de madeira no comércio exterior. Ela exige que o centro de cada peça chegue a 56 °C e fique nessa temperatura por 30 minutos seguidos. Feito o tratamento, a madeira recebe a marca IPPC (o selo da espiga de trigo), conferida pela alfândega do destino. Sem ela, o pallet pode ser barrado, devolvido ou destruído, junto com o atraso da carga.
KD-HT: as duas na mesma carga
KD e HT costumam andar juntos, mas um não garante o outro. A madeira pode ser HT sem estar seca (o tratamento é curto) e pode estar seca sem ter o registro do HT. Para pallet de exportação, peça KD-HT: seca na umidade certa e com o tratamento térmico registrado.
A classe da madeira também conta
Seca e tratada, a madeira ainda precisa estar na classe que a sua linha aguenta: quanto de nó, mancha azul e esmoado (a borda arredondada da tora) cada peça pode ter. O mercado de exportação compra principalmente as classes A e B. Explicamos cada uma em classificação de madeira serrada de pinus.
O que conferir no fornecedor de madeira para pallet
- Estufa própria e controlada. Pergunte como a umidade é medida e se cada ciclo fica registrado.
- Registro do HT. O tratamento precisa ser feito por empresa autorizada, com registro de temperatura e tempo de cada carga.
- Umidade na entrega, não só na saída da estufa. Madeira seca que pega chuva no pátio volta a molhar.
- Medida constante. Pallet é montado em máquina ou gabarito; tábua fora de medida para a linha.
- Origem. Pinus de floresta plantada, com certificação FSC® quando o seu cliente pede.
Como a LG Madeiras faz
A LG tem estufas próprias desde 2017. A secagem é controlada pelo sistema EcoPower MR500, da Marrari, que lê a umidade da madeira em tempo real, ajusta a estufa sozinho e registra cada ciclo. A madeira sai com umidade entre 5% e 12%, bem abaixo do limite de 19% da marcação KD.
Em 2023 a nossa estufa foi auditada e aprovada no programa de tratamento térmico da Timber Products Inspection (TPI), credenciada pelo American Lumber Standard Committee (ALSC), e mantemos os mesmos controles de temperatura, tempo e registro em toda carga.
A madeira serrada de pinus sai da fábrica em Ituporanga, SC, para fábricas de pallets e embalagens no Brasil e, em contêiner, pelos portos de Itajaí e Navegantes.
Fontes: norma ISPM-15 (IPPC), regras de marcação de madeira do American Lumber Standard Committee (ALSC) e o Wood Handbook (Laboratório de Produtos Florestais do USDA), sobre umidade e apodrecimento.

