O carimbo ISPM 15 é a marca IPPC que prova que a madeira de um pallet, caixa ou calço passou por um tratamento contra pragas aprovado. Ele se lê da esquerda para a direita: o símbolo da espiga, o código do país (BR, US, CN), um hífen, o código do produtor ou de quem tratou a madeira e o código do tratamento (HT, DH, MB ou SF). Ler os códigos é a parte fácil. O que barra a carga costuma ser o que está em volta deles.
O que é o carimbo ISPM 15
É a marca definida no Anexo 2 da ISPM 15, a norma internacional para embalagem de madeira no comércio exterior. Em português a norma se chama NIMF 15. Quem publica é a IPPC (Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais), ligada à FAO.
A marca diz uma coisa só: esta embalagem foi feita de madeira descascada e tratada por um método aprovado, por um produtor registrado no órgão oficial do país. No Brasil, esse órgão é o Ministério da Agricultura (MAPA). Ela vale para embalagem de madeira maciça: pallet, caixa, engradado, carretel e calço (o pedaço de madeira que trava a carga no contêiner).
Ficam de fora da norma as embalagens feitas só de madeira processada, como compensado, OSB e aglomerado, e as de madeira com até 6 mm de espessura. Por isso um pallet todo de compensado não leva a marca, e um pallet com blocos de madeira maciça leva.
Como ler a marca IPPC, campo por campo
A marca tem quatro componentes obrigatórios, sempre nesta ordem:
| Campo | Exemplo | O que significa |
|---|---|---|
| Símbolo | a espiga com as letras IPPC | o símbolo oficial da IPPC, sempre à esquerda dos códigos |
| Código do país | BR | o código ISO de duas letras do país onde a madeira foi tratada |
| Código do produtor | 000 | número único que o órgão oficial do país deu ao produtor da embalagem ou a quem fez o tratamento |
| Código do tratamento | HT | o método usado, com a sigla do Anexo 1 da norma |
Na prática, a marca aparece assim: o símbolo à esquerda, uma linha vertical, e à direita BR-000 numa linha e HT na linha de baixo. O código do tratamento também pode vir na mesma linha, separado por hífen (BR-000-HT).
O código do produtor é o campo que rastreia. Com ele, o órgão oficial chega à empresa que marcou a embalagem. O número de dígitos e a ordem de letras e números são definidos pelo órgão de cada país, por isso o código brasileiro não tem o mesmo formato do americano.
O que significam HT, DH, MB e SF no pallet
São os quatro tratamentos aprovados no Anexo 1 da ISPM 15:
| Código | Tratamento | Exigência principal |
|---|---|---|
| HT | tratamento térmico (heat treatment) | centro de cada peça a 56 °C por 30 minutos seguidos |
| DH | aquecimento dielétrico (micro-ondas ou radiofrequência) | 60 °C por 1 minuto seguido em toda a peça, inclusive na superfície; peça de até 20 cm na menor dimensão |
| MB | fumigação com brometo de metila | gás fumigante; a IPPC recomenda reduzir e substituir o uso |
| SF | fumigação com fluoreto de sulfurila | gás fumigante incluído na norma na revisão de 2018 |
Em pallet feito no Brasil para exportação, o código que você vai ver quase sempre é o HT. Nas fumigações (MB e SF), a casca precisa sair antes do tratamento, porque ela atrapalha a ação do gás. No tratamento térmico, a casca pode sair antes ou depois.
O que pode aparecer fora da borda: DB, KD e o logo da agência
A regra do Anexo 2 é simples: dentro da borda da marca, só os quatro componentes. Qualquer outra informação fica do lado de fora, encostada na marca.
- DB (debarked, descascada). Aparece em marcas antigas. A versão atual da norma exige madeira descascada em qualquer tratamento, então o DB deixou de ser componente obrigatório. A tolerância de casca é pequena: pedaços com menos de 3 cm de largura, ou mais largos com até 50 cm² cada.
- KD (kiln dried, seca em estufa). Indica a umidade, não o tratamento contra pragas. Nos Estados Unidos, as regras do ALSC permitem incluir KD junto com HT quando a madeira foi seca até o limite das regras de classificação.
- Logo da agência de inspeção ou marca do fabricante. Nos Estados Unidos, a marca do pallet traz o símbolo da agência credenciada que fiscaliza a fábrica. A norma aceita, desde que fique fora da borda.
A norma também manda os países aceitarem, na importação, embalagens marcadas conforme versões anteriores. Um pallet antigo com DB não é pallet irregular.
Como saber se o carimbo ISPM 15 é irregular
Use este roteiro quando receber pallet de um fornecedor ou antes de carregar um contêiner. Cada item vem do Anexo 2 da ISPM 15:
- O símbolo da IPPC está presente e à esquerda dos códigos.
- Há uma borda retangular ou quadrada e uma linha vertical separando o símbolo dos códigos (pequenas falhas de estêncil são aceitas).
- O código do país e o do produtor estão separados por hífen.
- O código do tratamento é um destes quatro: HT, DH, MB ou SF.
- Nada além dos quatro componentes está dentro da borda.
- Dá para ler sem lupa, e a marca não foi desenhada à mão.
- A marca é durável e não sai da peça (tinta que borra no primeiro dia de chuva não serve).
- Não está em vermelho ou laranja, cores reservadas para carga perigosa.
- Fica visível com o pallet em uso, de preferência em dois lados opostos.
- Cada calço tem a marca inteira. Pedaço cortado que perdeu parte da marca não deve ser usado.
O último item é o que mais escapa na expedição. O calço costuma ser cortado no comprimento só na hora de travar a carga, e o corte pode cair no meio da marca. A norma recomenda marcar a peça em intervalos curtos ao longo de todo o comprimento, para que qualquer pedaço cortado leve uma marca completa.
O que muda com o hífen nos Estados Unidos em 2026
Desde 1º de janeiro de 2026, o APHIS (o serviço de defesa sanitária vegetal dos EUA) e o CBP (a alfândega) voltam a fiscalizar o hífen entre o código do país e o do produtor. De março a dezembro de 2025, essa fiscalização tinha ficado suspensa só para o caso do hífen; o resto da ISPM 15 continuou valendo o tempo todo.
Na prática: um pallet marcado “BR 000” em vez de “BR-000” pode ser tratado como não conforme ao chegar aos EUA. Se o seu fornecedor de pallet usa um carimbo antigo, vale conferir agora, antes do próximo embarque. Regras conferidas em novembro de 2026.
Madeira serrada precisa de carimbo ISPM 15?
Não da mesma forma que o pallet. A ISPM 15 regula a embalagem de madeira. A madeira serrada vendida como mercadoria segue as exigências fitossanitárias do país importador, que podem pedir certificado fitossanitário, tratamento ou inspeção. A movimentação internacional de madeira como mercadoria é tratada em outra norma da IPPC, a ISPM 39.
Para quem fabrica pallet de exportação, o que importa é a cadeia: madeira tratada com registro de temperatura e tempo, e a marca aplicada no pallet pronto por quem tem o registro. Nos EUA, as regras do ALSC exigem que a fábrica de pallet credenciada use madeira HT ou KD-HT. Explicamos a diferença entre secar (KD) e tratar (HT) em madeira para pallet KD e HT, e a classe da madeira que cada linha aguenta em classificação de madeira serrada.
Como a LG Madeiras faz
A LG tem estufas próprias desde 2017, com secagem controlada pelo sistema EcoPower MR500, da Marrari, que registra cada ciclo. Em 2023, a estufa foi auditada e aprovada no programa de tratamento térmico da Timber Products Inspection (TPI), agência credenciada pelo American Lumber Standard Committee (ALSC). A madeira serrada de pinus sai com umidade entre 5% e 12%, e com certificação FSC® (licença FSC-C215210) quando o pedido é certificado.
Fornecemos a madeira para fábricas de pallets e embalagens no Brasil e no exterior, embarcada em contêiner pelos portos de Itajaí e Navegantes. Veja como produzimos a madeira serrada de pinus KD-HT.
Fontes: ISPM 15 — Regulamentação de embalagens de madeira no comércio internacional (IPPC/FAO), Anexos 1 e 2, revisão adotada em 2018; ISPM 39 (IPPC, 2017); aviso do APHIS sobre o fim da suspensão do hífen (dezembro de 2025); Wood Packaging Material Enforcement Regulations do ALSC (novembro de 2025). Informações conferidas em novembro de 2026.

